Conheça curiosidades da vida de Picasso antes de conferir sua exposição gratuita em Vitória no feriadão
Crédito: Rodrigo Gavini
Pablo Picasso foi gênio, revolucionário e provocador. Mas, para além das obras que fizeram dele um dos artistas mais importantes do século XX, sua trajetória também é marcada por histórias e curiosidades que ajudam a revelar outras faces do espanhol. Da relação precoce com a arte à convivência com saltimbancos em Paris, passando pela paixão pelas touradas, pelas superstições e pela experimentação com diferentes linguagens, episódios de sua vida ajudam a compreender temas que atravessaram sua produção. E parte desses universos pode ser vista de perto no feriadão de 7 de setembro, em Vitória, na exposição gratuita que reúne 120 obras relacionadas ao artista, no Palácio Anchieta, no Centro da capital. A chegada da mostra ao Espírito Santo integra as comemorações dos 80 anos do Sesc-ES.
Entre as muitas biografias de Picasso, há a afirmação de que sua primeira palavra teria sido “piz”, uma abreviação de lápiz, “lápis” em espanhol. O interesse pela arte surgiu cedo. Sob influência do pai, que também era pintor e professor, começou a receber formação artística ainda na infância. Aos 13 anos, Picasso já frequentava uma escola de belas-artes.
Mas Picasso não ficou conhecido apenas pela pintura. Ao longo da vida, também se dedicou à escultura, cerâmica, gravura, colagem e até à escrita. Produziu poemas e peças de teatro, demonstrando uma inquietação criativa que ultrapassava os limites de uma única linguagem artística. Esse espírito experimental aparece inclusive em obras que incorporam materiais pouco convencionais. Em uma de suas guitarras, por exemplo, utilizou papel de jornal, cordas, pregos e até uma espécie de esfregão.
Alguns dos temas que atravessaram a produção de Picasso nasceram de experiências que fizeram parte de sua própria vida. Quando se estabeleceu definitivamente em Paris, em 1904, ainda era um jovem artista espanhol tentando conquistar espaço na capital francesa. Nesse período, passou a frequentar circos e a se aproximar do universo de palhaços, acrobatas e saltimbancos. Picasso se identificava com aquelas figuras que viviam à margem e circulavam em busca de público. Ele próprio era, naquele momento, um estrangeiro em Paris, com pouco dinheiro e ainda em busca de reconhecimento.
Esses personagens passaram a aparecer em suas obras, muitas vezes longe do picadeiro e retratados em cenas melancólicas e introspectivas. O universo dos saltimbancos marcou especialmente sua chamada fase rosa, entre 1904 e 1906, e está entre os núcleos representados na exposição em Vitória.
Se o circo entrou na obra de Picasso a partir de sua experiência em Paris, a paixão pelas touradas vinha de muito antes. Nascido em Málaga, no sul da Espanha, ele era levado pelo pai para assistir às corridas de touros ainda criança. A ligação com esse universo apareceu precocemente em sua produção: aos oito anos, pintou O Pequeno Picador Amarelo, sua primeira obra a óleo conhecida, justamente inspirada em uma cena da arena.
Décadas mais tarde, quando passou a viver no sul da França, Picasso reencontrou esse universo e voltou a frequentar touradas. Touros, cavalos, toureiros e cenas de arena atravessaram diferentes momentos de sua produção e apareceram em desenhos, gravuras, pinturas e cerâmicas. Mais do que registrar o espetáculo, Picasso transformou o touro em um dos símbolos recorrentes de sua obra. A tauromaquia é outro dos universos presentes na exposição em Vitória.
Há ainda aspectos menos conhecidos de sua trajetória. Picasso era supersticioso e mantinha rituais que acreditava ajudá-lo a afastar maus presságios. Segundo o Museu Picasso de Paris, ele chegou a enviar regularmente à companheira mechas de cabelo, unhas e peças de roupa, objetos que adquiriam significado simbólico em sua vida pessoal. A relação entre superstição, fascínio e temor da morte acompanhou o artista ao longo dos anos e também deixou marcas em sua produção.
São detalhes que ajudam a compreender melhor a complexidade de uma das personalidades mais influentes da história da arte. Por trás do artista que transformou a pintura moderna havia também uma figura marcada por crenças, rituais, relações intensas e uma permanente busca por novas formas de expressão.
Picasso em Vitória
O público capixaba tem uma oportunidade rara de conhecer esse artista tão genial e com peculiaridades tão comuns. A exposição “Picasso, a construção de um gênio — A arte de nunca ser o mesmo” está em cartaz no Espaço Cultural do Palácio Anchieta, no Centro de Vitória.
Promovida pelo Sesc-ES em comemoração aos 80 anos da instituição, a exposição reúne 80 obras originais de Picasso, em uma espécie de diálogo entre as oito décadas do Sesc e a trajetória de um dos nomes mais conhecidos da arte mundial.
Parte das obras é apresentada de forma inédita no Brasil, procedente de coleções particulares italianas. Ao todo, são 120 obras, incluindo trabalhos de Picasso e materiais que ajudam a contar sua trajetória, como fotografias, gravuras e cerâmicas. A mostra também aproxima o público de outros artistas ligados ao universo de Picasso, entre eles Dora Maar e Françoise Gilot.
Sobre o Sesc
Integrante do Sistema Comércio, ao lado da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), do Senac e das Federações e sindicatos empresariais, o Sesc é uma instituição privada mantida pelos empresários do comércio de bens, serviços e turismo. Há 80 anos, desenvolve ações de educação, saúde, cultura, lazer e assistência que promovem qualidade de vida e desenvolvimento para os trabalhadores do setor. Em 2026, a instituição celebra oito décadas de atuação com uma programação especial em todos os estados do país.
Quem foi Pablo Picasso?
Pablo Picasso (1881–1973) foi um dos artistas mais importantes e revolucionários da história. Produziu sua primeira pintura antes dos 10 anos e, ao longo de mais de 70 anos de carreira, criou cerca de 50 mil obras. Inquieto e inovador, nunca permaneceu preso a um único estilo. Mesmo quem nunca entrou em um museu provavelmente já viu referências às obras de Picasso em livros, filmes, publicidade, moda ou design e até memes. Seus rostos fragmentados, olhos em diferentes posições e formas geométricas se tornaram uma linguagem reconhecida internacionalmente e ajudaram a redefinir os rumos da arte moderna.
Entre seus trabalhos mais famosos estão Guernica (1937), um dos maiores manifestos artísticos contra a guerra; LesDemoiselles d'Avignon (1907), considerada um marco da arte moderna; A Mulher que Chora (1937), um retrato marcante do sofrimento humano; e O Velho Guitarrista (1903), uma das principais obras da Fase Azul. Até hoje, Picasso é um dos artistas mais conhecidos do mundo, com obras presentes nos principais museus e entre as mais valiosas da história da arte.
Serviço
Exposição: Picasso, a construção de um gênio — A arte de nunca ser o mesmo
Abertura: 26 de agosto de 2026
Encerramento: 16 de outubro de 2026
Horários: Terça a sexta: 9h às 17h – Sábados, domingos e feriados: 9h às 16h
Local: Espaço Cultural do Palácio Anchieta, Centro de Vitória
Entrada gratuita
Agendamento de grupos: (27) 3636-1031 / (27) 3636-1032 / agendamento.palacio@gmail.com
Mais informações: https://www.instagram.com/picassonobrasil/
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