Onça-pintada em Marechal Floriano? Ibama vê indícios de fraude em imagens


Análise técnica avaliou registros que circularam nas redes sociais e concluiu ser altamente improvável a presença de uma onça-pintada solta na região de Aparecidinha/Basílio


Marechal Floriano - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) concluiu, em análise técnica, que há fortes indícios de falsificação nas imagens que circularam nas redes sociais sobre o suposto avistamento de uma onça-pintada na localidade de Aparecidinha, conhecida como Basílio, na divisa entre Marechal Floriano e Alfredo Chaves.


De acordo com a Informação Técnica nº 60/2026, os especialistas avaliaram dois registros fotográficos a partir de critérios morfológicos, geométricos e digitais, além de realizarem diligência em campo.


No primeiro registro, feito em uma estrada de terra, foram encontradas inconsistências na pixelização, no posicionamento do animal, na integração com o ambiente e na iluminação. O documento também aponta incompatibilidade de proporção e escala do felino em relação aos elementos de referência da imagem.


O segundo registro, que mostra o animal próximo a um corpo d'água, apresenta, segundo o IBAMA, fortes indícios de manipulação ou geração por Inteligência Artificial, com falhas na interface gráfica, no formato da imagem e na escala do animal em comparação com o cenário.


A análise destaca ainda que uma onça-pintada adulta mede, em média, entre 65 e 75 centímetros de altura na cernelha, medida incompatível com as proporções apresentadas nas fotos.


Outro ponto levantado é a ausência de registros que comprovem a existência de populações selvagens da espécie na região serrana. Com base em dados de monitoramento e no histórico da fauna local, o órgão considera improvável a circulação de uma onça-pintada solta em Aparecidinha/Basílio e arredores.


Durante a vistoria no local onde uma das fotos teria sido feita, a equipe encontrou inconsistências no funcionamento dos equipamentos que supostamente capturaram as imagens. A falta dos arquivos originais também impediu a auditoria completa dos metadados.


Ao final, o IBAMA concluiu que um dos registros é certamente falso e o outro apresenta fortes indícios de manipulação ou geração sintética. Para o órgão, há grande probabilidade de que o material tenha sido fabricado artificialmente.


O Instituto recomenda que as informações corretas sejam amplamente divulgadas para conter o pânico e os impactos causados pela desinformação. O órgão orienta ainda que a população busque fontes oficiais e evite compartilhar conteúdos sem veracidade confirmada, já que notícias falsas podem alterar a rotina da comunidade e prejudicar espécies que realmente ocorrem na região.


A Nota Técnica Nº 60/2026 na íntegra pode ser acessada [AQUI]

Maike Trancoso

Fundador do Jornal online O Leopoldinense e portal Tempo - ES Vice-presidente do portal de notícias GIRO ES

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