Atrasos, falhas e insegurança: famílias denunciam problemas no transporte escolar em Santa Leopoldina
![]() |
| Foto: Leitor/O Leopoldinense |
Na comunidade de Boqueirão do Santinho, uma das mais afetadas pelos transtornos, os pais chegaram a não enviar as crianças para a escola em forma de protesto. Nos dias seguintes, porém, os estudantes voltaram às aulas após a cooperativa adotar uma nova estratégia para atender à rota.
A alternativa foi dividir o percurso em duas viagens. A van busca parte dos estudantes em Boqueirão do Santinho, segue até a comunidade de Rio do Meio, onde as crianças ficam temporariamente sob os cuidados da monitora do ônibus escolar da Prefeitura, retorna para buscar o restante dos alunos e, somente depois, todos seguem para a EMEF Milton Corteletti, em Barra de Mangaraí.
Segundo os pais, a medida não resolveu o problema. Na sexta-feira, os estudantes chegaram à escola por volta das 7h20, quando as aulas já haviam começado. Na segunda-feira, embora o horário tenha melhorado, o transporte chegou aproximadamente às 7h10, após o toque do sinal.
As famílias afirmam que a nova organização também aumentou o tempo de permanência das crianças no transporte. Segundo os responsáveis, enquanto antes os estudantes chegavam em casa antes das 13 horas, agora parte deles só retorna por volta das 13h30 ou até mais tarde. Entre eles há crianças de apenas cinco anos. Os pais questionam o longo intervalo entre a saída da escola e a chegada em casa, destacando que algumas crianças passam várias horas até conseguirem fazer a próxima refeição.
Os responsáveis também questionam a capacidade dos veículos utilizados na rota. Segundo eles, uma van de 18 lugares não comportava todos os estudantes, e a substituição por um veículo de 24 lugares continua sendo considerada insuficiente para atender os 23 alunos, além do motorista e da monitora. Conforme relatos, chegou a ser cogitada a possibilidade de a monitora realizar o trajeto em pé, situação considerada pelas famílias incompatível com as normas de segurança.
Além dos atrasos, pais demonstram preocupação com a velocidade desenvolvida pela van para cumprir o cronograma. Segundo os relatos, o veículo percorre trechos de estrada rural em velocidade considerada elevada para as características da via, que possui curvas fechadas, trechos estreitos e locais onde dois veículos têm dificuldade para se cruzar. Um estudante chegou a gravar um vídeo durante o trajeto, e as imagens passaram a circular entre os pais, reforçando a preocupação com a segurança.
Os problemas, segundo os responsáveis, não se restringem à rota de Boqueirão do Santinho. Na região atendida pela Escola de Holanda, algumas mães relatam que, no primeiro dia de operação da nova cooperativa, optaram por não enviar as filhas para a escola após o transporte chegar com quatro homens no veículo e sem a presença de uma monitora. Segundo elas, os ocupantes não utilizavam uniforme e eram desconhecidos da comunidade, o que gerou insegurança, principalmente por se tratar de adolescentes e pré-adolescentes.
As famílias da região também relatam ônibus com problemas mecânicos, trocas frequentes de motoristas, utilização de veículos sem a identificação obrigatória do transporte escolar e interrupções no atendimento de alguns ramais. Segundo os relatos, alguns condutores demonstraram dificuldade para dirigir nas estradas da zona rural. Em uma das ocorrências, um micro-ônibus teria se envolvido em uma colisão que arrancou o para-choque do veículo.
![]() |
| Ônibus sem o para-choque. Foto: Leitor/O Leopoldinense |
Ainda de acordo com os pais, um dos ônibus precisou passar por manutenção e, ao retornar ao serviço no dia seguinte, continuava emitindo grande quantidade de fumaça. Em outra ocasião, diante da indisponibilidade do transporte escolar, estudantes teriam sido levados para a escola em veículos particulares para não perderem as aulas.
Enquanto alguns trajetos continuam sendo realizados, outros deixaram de ser atendidos. Com isso, algumas crianças estariam há mais de duas semanas sem conseguir frequentar as aulas regularmente. Em muitos casos, os pais passaram a precisar se deslocar de carro ou motocicleta para levar os filhos até o ponto mais próximo onde o transporte consegue chegar. Quando esse deslocamento não é possível, os estudantes acabam perdendo o dia letivo.
Os moradores afirmam que essa realidade é diferente da vivida anteriormente. Segundo eles, na cooperativa que prestava o serviço antes da Transcop-GV, todos os ramais eram atendidos e os veículos buscavam os estudantes próximos às suas residências, sem que as famílias precisassem levá-los até pontos de embarque.
De acordo com os responsáveis, a Transcop-GV teve cerca de seis meses para se preparar antes de assumir o transporte escolar em Santa Leopoldina. Ainda assim, afirmam que os problemas continuam sendo registrados em diferentes comunidades do município.
Os pais afirmam que todos os problemas vêm sendo comunicados ao secretário municipal de Educação, que, segundo eles, está ciente da situação por meio dos relatos e questionamentos encaminhados pelas famílias. Apesar do diálogo mantido com a Secretaria Municipal de Educação, os responsáveis afirmam que as dificuldades persistem e que, até o momento, as medidas adotadas não foram suficientes para garantir um transporte seguro, pontual e adequado para os estudantes.
Diante da situação, as famílias cobram uma solução definitiva que garanta segurança, pontualidade e condições adequadas para todos os alunos atendidos pelo transporte escolar. Segundo elas, a mobilização nunca teve como objetivo impedir o acesso às aulas, mas assegurar que as crianças sejam transportadas com segurança, respeito e dignidade.
![]() |
| Ônibus saindo fumaça. Foto: Leitor/O Leopoldinense |



me mudei pra cidade justamente por problemas na educaçao das escolas de santa leopoldina , falta de transporte troca constante de professores sem curriculo escolar pras crianças e nao adiantar questionar a secretaria de educaçoa sobre esses fatos eles nao resolvem , decide vir pra vitoria pra dar educaçao digna pros meus filhos .
ResponderExcluir