Auditoria do TCE-ES aponta frota envelhecida e irregularidades no transporte intermunicipal do ES


Relatório do Tribunal de Contas identifica problemas em empresas de ônibus que operam no Estado; Viação Pretti, que atende cidades da região serrana e noroeste, está entre as citadas

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) revelou uma série de irregularidades no sistema de transporte rodoviário intermunicipal capixaba. O detalhamento das informações foi divulgado em reportagem do jornal A Gazeta.

O levantamento aponta problemas em empresas que operam linhas entre municípios do Estado, incluindo ônibus com idade acima do permitido, falhas em equipamentos obrigatórios e deficiência na fiscalização do sistema.

De acordo com o relatório, 11 das 15 empresas auditadas descumprem a norma estadual que determina que apenas 20% da frota pode ter mais de 13 anos de fabricação. Em alguns casos, as irregularidades chegam a atingir 100% dos veículos em circulação.

Entre as empresas citadas está a Viação Pretti, responsável por linhas importantes que atendem municípios como Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Itarana, Itaguaçu, Baixo Guandu e Colatina. Segundo a auditoria, 68% da frota da empresa opera acima da idade máxima permitida pela regulamentação estadual.

O TCE-ES também identificou ônibus circulando com cronotacógrafos vencidos ou irregulares — equipamento obrigatório responsável pelo registro de velocidade, distância percorrida e jornada dos motoristas. Na Viação Pretti, 16 veículos apresentaram problemas relacionados ao dispositivo.

A auditoria apontou ainda falhas no acompanhamento e fiscalização por parte dos órgãos responsáveis pelo transporte intermunicipal no Espírito Santo. Entre os problemas destacados estão ausência de controle eficiente da idade da frota, fragilidade nas inspeções e demora na realização da nova licitação do sistema.

Para moradores do interior capixaba, especialmente das cidades atendidas pela Pretti, o transporte rodoviário é essencial para deslocamentos diários relacionados a trabalho, estudos, saúde e acesso a serviços públicos. O relatório reacende discussões sobre segurança, conforto e qualidade do serviço oferecido à população.

Diante das irregularidades encontradas, o Tribunal determinou que a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) apresente um cronograma para a nova concessão do transporte intermunicipal e recomendou que a Ceturb-ES intensifique a fiscalização das empresas operadoras.

As empresas do setor alegam dificuldades financeiras para renovação da frota, citando aumento dos custos operacionais e redução no número de passageiros após a pandemia. Mesmo assim, o TCE-ES reforçou a necessidade de cumprimento das normas para garantir segurança e qualidade aos usuários do transporte público intermunicipal.


Confira o que apontou a auditoria:


Expressa Transportes: 100% da frota acima de 13 anos

Minastur: 100% dos ônibus com mais de 13 anos de fabricação

Viação São Gabriel: Dos 15 veículos, 14 (93%) excedem na idade

Viação São Roque: 80% da frota está fora do limite de idade

Viação Sudeste: 70% da frota (72 veículos) acima de 13 anos, incluindo oito ônibus com mais de 30 anos e o veículo mais velho do sistema, de 37 anos.

Viação Pretti: 68% da frota acima do limite de idade

Expresso Aracruz: 67% dos ônibus com mais de 13 anos

Viação Joana D’Arc: Dos 12 veículos, oito (67%) estão acima do limite

Viação Alvorada: 59% da frota acima de 13 anos

Cordial Transportes: 58% da frota com mais de 13 anos

Real Ita: 48% dos veículos excedem o limite de idade

Maike Trancoso

Fundador do Jornal online O Leopoldinense e portal Tempo - ES Vice-presidente do portal de notícias GIRO ES

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