Canetas emagrecedoras proibidas podem representar risco ao coração, alertam cardiologistas


A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de proibir a comercialização e o uso das canetas emagrecedoras Gluconex e Tirzedral acendeu o debate sobre os riscos do uso de produtos irregulares para a saúde, especialmente para o coração.

Os dois medicamentos, vendidos como injetáveis com ação semelhante aos análogos de GLP-1, não possuem registro no Brasil e, segundo a agência, têm composição desconhecida. A ausência de controle sobre o conteúdo e a qualidade levanta preocupações sobre possíveis efeitos adversos imprevisíveis.


Para o cardiologista Dr. Ricardo Ferreira, o principal risco está justamente na falta de informação sobre o que está sendo administrado no organismo. “Quando não sabemos exatamente a composição de um medicamento, não conseguimos prever como o corpo, e principalmente o coração, vai reagir”, explica.


Segundo o especialista, substâncias com ação metabólica podem interferir diretamente no sistema cardiovascular, alterando pressão arterial, frequência cardíaca e até o ritmo dos batimentos. “Produtos irregulares podem desencadear arritmias, oscilações de pressão e outros efeitos que, em alguns casos, podem ser graves”, afirma.


Outro ponto de preocupação é o uso desses medicamentos sem acompanhamento médico. A facilidade de acesso, principalmente pela internet, tem levado muitas pessoas a recorrerem a soluções rápidas para perda de peso, sem avaliação prévia de riscos individuais.


“Mesmo medicamentos aprovados exigem indicação e acompanhamento. No caso de produtos ilegais, o risco é ainda maior, porque não há garantia de dose, pureza ou estabilidade da substância”, destaca o cardiologista.


Além dos efeitos diretos, o uso indiscriminado pode mascarar problemas de saúde ou levar à falsa sensação de segurança. “A pessoa emagrece e acredita que está mais saudável, mas pode estar expondo o organismo a riscos silenciosos, inclusive cardiovasculares”, alerta.


A recomendação dos especialistas é clara: evitar o uso de qualquer medicamento sem registro e sempre buscar orientação médica antes de iniciar tratamentos para perda de peso.


A própria Anvisa orienta que produtos irregulares não sejam utilizados em nenhuma hipótese e reforça a importância de denunciar a comercialização ilegal. Para os médicos, o episódio reforça um ponto essencial: quando o assunto é saúde, especialmente a do coração, não há espaço para atalhos.
 


Dr. Ricardo Ferreira Silva


Dr. Ricardo Ferreira Silva é graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG), fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, em 2011, e se especializou em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo, em 2014 - título reconhecido pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial. Além de ter especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo e concluído seu Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2018.

 

Já em 2017, Dr. Ricardo fundou o Centro Cardiológico em sua cidade natal, Uberaba, para levar o que havia de mais moderno em tratamento de arritmia cardíaca para o interior do estado. Em pouco tempo, com a evolução do serviço e a necessidade de facilitar o acesso aos pacientes de outras localidades do país, expandiu para São Paulo. Hoje, está presente também dentro de hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo – em São Paulo.

Maike Trancoso

Fundador do Jornal online O Leopoldinense e portal Tempo - ES Vice-presidente do portal de notícias GIRO ES

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