Moraes determina busca e apreensão contra jornalista após reportagem sobre carro usado por Flávio Dino

Cristiano Mariz/Agência O Globo
Medida do ministro do STF foi tomada após investigação da Polícia Federal sobre publicações que abordavam o uso de um veículo oficial ligado ao ministro Flávio Dino, gerando reação de entidades de defesa da liberdade de imprensa.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a realização de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, responsável pelo site Blog do Luís Pablo. A medida foi autorizada após investigação da Polícia Federal relacionada a reportagens sobre um veículo utilizado pelo ministro Flávio Dino.
A decisão judicial foi assinada em 4 de março e resultou no cumprimento de mandados em endereços ligados ao jornalista em São Luís, no Maranhão. Durante a operação, agentes apreenderam equipamentos eletrônicos, como celular e computador.
Segundo a Polícia Federal, a investigação busca apurar possível crime de perseguição contra o ministro do STF. O caso foi motivado por reportagens publicadas pelo blog em novembro de 2025, que apontavam suposto uso irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino.
De acordo com os investigadores, as publicações continham imagens e informações detalhadas sobre o automóvel, o que poderia indicar monitoramento do veículo e acesso a dados considerados sensíveis relacionados à segurança do ministro.
Em nota, o Supremo Tribunal Federal afirmou que o procedimento não tem relação com crimes contra a honra ou com liberdade de expressão. Segundo a Corte, a apuração tem como objetivo esclarecer possível monitoramento ilegal dos protocolos de segurança do ministro em São Luís.
Reações de entidades de imprensa
A decisão gerou manifestações de entidades representativas do setor de comunicação. Organizações como a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram nota classificando a medida como “preocupante”.
As entidades afirmaram que a atividade jornalística é protegida pela Constituição e destacaram a importância do sigilo da fonte para o exercício da profissão. Para as organizações, medidas judiciais que possam violar essa garantia devem ser analisadas com cautela por envolverem a liberdade de imprensa.
O jornalista investigado também se manifestou publicamente, afirmando manter o compromisso com a apuração de fatos de interesse público e com o respeito às normas constitucionais que garantem o direito à informação.
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