Cinema, educação e negritudes vão movimentar debate no Instituto Marlin Azul
O evento aberto e gratuito contará com roda de conversa, lançamento e debate de livros sobre a força do audiovisual como prática coletiva para enxergar e mudar o mundo por meio de novas narrativas.
O cinema como instrumento de educação e transformação do olhar para a construção de um mundo plural e inclusivo inspirará a noite de lançamento literário com debate no Instituto Marlin Azul. Com entrada gratuita, o espaço acolherá o público na quarta-feira (12/03), às 18 horas, para um diálogo sobre os cinemas negros como territórios de afeto, memória, ancestralidade e resistência.
A roda de conversa terá como ponto de partida a obra inédita “Cinema Quilombola: Territorialidades e Territórios Ancestrais”, de Edileuza Penha de Souza e Cardes Monção Amâncio, além dos livros “Cinema Negro no Feminino: Afeto e Pertencimento além das Telas”, de Ceiça Ferreira e Edileuza Penha de Souza, e “Cinemas, Educação e Diversidades”, de Juliana Lopes da Silva e Edileuza Penha de Souza.
O debate contará com a participação da professora, realizadora e pesquisadora Edileuza Penha de Souza, organizadora das três coletâneas que reúnem pensamentos e vivências de diferentes autoras e autores com atuação nos campos dos cinemas, das educações e das relações étnico-raciais. Ao seu lado estarão o cineasta e professor da Ufes Erly Vieira Jr e a quilombola e pedagoga Olindina Cirilo Nascimento Serafim. A mediação será da pesquisadora Cintya Ferreira.
Sob a luz das obras organizadas a muitas mãos, o evento propõe refletir sobre o audiovisual como práticas política e pedagógica atravessadas por diferentes experiências, contextos e modos de fazer. Ao reunir educadores, pesquisadores e realizadores diversos, convocar múltiplas vozes, articular diferentes perspectivas, os livros em destaque pensam o cinema não apenas como linguagem artística, mas como prática coletiva e partilhada de criação, invenção e reinscrição de memórias. O evento é voltado à participação da comunidade em geral.
Conheça um pouco sobre os livros
que vão orientar a discussão
Cinema Quilombola: Territorialidades e Territórios Ancestrais
Organizadores - Edileuza Penha de Souza e Cardes Monção Amâncio
Sinopse - O livro destaca o cinema produzido e protagonizado pelas próprias comunidades como uma ferramenta essencial de resistência política, empoderamento social e preservação da memória. Ao promover narrativas autênticas que desafiam o racismo estrutural, a obra serve como um instrumento prático para a implementação das leis federais 10.639/2003, que valoriza a história e cultura negra na formação da sociedade brasileira, e 13.006/2014, que institui a exibição de filmes nacionais como atividade pedagógica nas escolas. Assim, a coletânea reafirma o audiovisual como um potente aliado da Educação Escolar Quilombola e da construção de uma sociedade mais inclusiva.
Cinema Negro no Feminino: Afeto e Pertencimento além das Telas
Organizadoras - Ceiça Ferreira e Edileuza Penha de Souza
Sinopse - Como um bordado de barafunda, onde os fios se entrelaçam, o livro Cinema Negro no Feminino: Afeto e Pertencimento Além das Telas reúne artigos científicos, ensaios e entrevistas de pesquisadoras, cineastas e profissionais do audiovisual, que sob uma perspectiva interseccional oferecem subsídios teóricos, metodológicos e conceituais para a análise das trajetórias e poéticas de cineastas negras.
Nas tramas do audiovisual e da produção de conhecimento, essa coletânea reafirma a pluralidade, a abundância e a inovação dos cinemas negros no feminino. As organizadoras nos convidam a compreender o cinema como território de resistência e fabulação, onde se bordam afetos, pertencimentos e futuros possíveis com linhas de coragem, sensibilidade e invenção. Cada texto é também um gesto de memória e cuidado, um fio que costura saberes e práticas na luta por outras formas de ver e de viver. Porque entre o gesto e a imagem, entre o pensamento e o corpo, pulsa a vitalidade dos mundos que essas mulheres criam.
Cinemas, Educação e Diversidades
Organizadoras: Juliana Lopes da Silva e Edileuza Penha de Souza
Sinopse - O livro propõe um olhar sensível e reflexivo sobre as relações entre cinema, educação e diversidade. Reunindo diferentes autores, a obra apresenta uma coletânea de artigos que explora as interseções entre a linguagem cinematográfica, as práticas educativas e as múltiplas expressões da diversidade cultural e social brasileira e latino-americana. A partir de reflexões teóricas e experiências práticas nos territórios, os artigos evidenciam o potencial de aprender e ensinar com o cinema, inventando novas narrativas, transformando olhares e ampliando horizontes. Voltado a professores, educadores e profissionais do audiovisual, o livro convida à reflexão e à ação em favor de uma educação com as imagens e os sons comprometida com a construção de uma sociedade plural, inclusiva e democrática.
Saiba mais sobre o Instituto Marlin Azul
O Instituto Marlin Azul é uma associação sem fins lucrativos criada em 1999 cuja finalidade é promover ações direcionadas à cultura, à arte e à educação, democratizando o acesso à produção e fruição de bens culturais. Em 26 anos de atividades, a instituição vem desenvolvendo, a partir de ações de formação, produção, difusão e inclusão audiovisuais, diversos projetos culturais, ambientais, de preservação e valorização da memória e das tradições populares, voltados para diferentes públicos do Espírito Santo e do Brasil. A entidade desenvolve os projetos Revelando os Brasis, Projeto Animação, Cine Animazul, Curta Vitória a Minas, Cine Quilombola, Cinema de Griô, Griôs de Goiabeiras e Memória do Barro. Para conhecer, acesse institutomarlinazul.org.br.
SERVIÇO
Entrada Gratuita
Data: 12 de março
Horário: 18h
Local: Instituto Marlin Azul (IMA)
Endereço: Rua Oscar Rodrigues de Oliveira, 570 – Jardim da Penha – Vitória (ES)
RODA DE CONVERSA com o tema “Cinemas, territórios, negritudes e pertencimentos”
Participantes
Edileuza Penha de Souza é professora, realizadora e pesquisadora. Pós-doutora em Comunicação e Doutora em Educação pela Universidade de Brasília (UnB). Foi aluna da EICT- Escuela Internacional de Cine y TV de San Antonio de los Banõs – República de Cuba. Organizou a Coleção: “Negritude, Cinema e Educação – Caminhos para a implementação da lei 10.639/2003”, editada pela Mazza Edições, Belo Horizonte. Roteirista e diretora de: Vão das Almas (Brasil, 2023 – 15min), Filhas de Lavadeiras (Brasil, 2019 – 22min); Mulheres do Barro (Brasil, 2015 – 26min); Sem Limites (Cuba, 2013 – 15min); Um peso por brincadeira (Cuba, 2013 – 14min); Conta Contos - a arte de ouvir e contar histórias (Fundação Cultural Palmares, 2010 – 11min). Foi premiada no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro com melhor curta-metragem documental por Filhas de Lavadeiras e com o mesmo curta recebeu diversas outras premiações como o 25º Festival É Tudo Verdade, e o Prêmio Academia Francesa de Cinema (Academie des Césars, 2022). É idealizadora e coordenadora da Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio.
Olindina Cirilo Nascimento Serafim é quilombola, professora da educação básica no município de São Mateus (ES). Professora, pedagoga e agricultora quilombola. Mestre em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Doutora em Educação na Universidade Federal Fluminense (UFF), participante do Grupo de Pesquisa Etnomatemática da UFF. Membro do Comitê e da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos (REBDH)/Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH)-ES. Membro do Fórum de Mulheres do Espírito Santo/Articulação de Mulheres Brasileiras (FOMES/AMB). Membro do Coletivo Nacional e Estadual de Educação Escolar Quilombola. Co-fundadora da Comissão Quilombola do Sapê do Norte. Coordenadora de Comissão Permanente de Estudos Afro-brasileiros (CeAfro) de São Mateus. Conselheira do Conselho Municipal da Mulher de São Mateus.
Erly Vieira Jr é cineasta, escritor, curador e pesquisador audiovisual. Doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ e Pós-Doutor em Cinema pela UFF, é professor do curso de Cinema e Audiovisual da UFES desde sua fundação, em 2010. Dirigiu dez curtas-metragens (ficções e documentários), exibidos e premiados em festivais dentro e fora do Brasil. Entre seus livros, destacam-se Realismo sensório no cinema contemporâneo (2020) e Plano Geral – Panorama histórico do cinema no Espírito Santo (2015). Também atua como curador audiovisual em diversos festivais brasileiros. Seus documentários mais recentes incluem o premiado longa-metragem Presença (2024), e a série Admirável mundo gordo, em codireção com Melina Galante, com estreia prevista para 2026.
Mediadora
Cintya Ferreira é de São Gonçalo-RJ, bacharel em Cinema e Audiovisual na UFF, Mestra e doutoranda pelo PPGCINE-UFF com uma dissertação que foca na trajetória do diretor e ator negro Zózimo Bulbul no contexto histórico da ditadura civil-militar no Brasil. Também participa como uma das organizadoras da Enciclopédia “Cinemas em Confronto: curtas e médias-metragens em resposta à ditadura militar brasileira”. Compõe o Laboratório de Experimentação com Imagem e Som (Kumã) desde 2020 e já coordenou diversos grupos de cinema com professores da rede básica. Trabalha no campo de cinema e educação como oficineira nos projetos Cine Quilombola e Cinema de Griô (IMA) que propõe oficinas e a realização de filmes em comunidades quilombolas do Espírito Santo. Já trabalhou em oficinas atreladas ao Curta Vitória a Minas, Cine Miau, Projeto Animazul, Cine Missões e Aeroplano nas escolas. Compôs o núcleo de educação da 13ª e 14ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos.
LANÇAMENTO do livro “Cinema Quilombola: Territorialidades e Territórios Ancestrais”, de Edileuza Penha de Souza e Cardes Monção Amâncio.
Mais informações
Instituto Marlin Azul
Telefone: (27) 3327-5009 | (27) 99872-3521
E-mail: instituto@imazul.org
Site IMA: www.institutomarlinazul.org.br
Redes sociais: @institutomarlinazul

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