Rembrandt no Palácio Anchieta recoloca o Espírito Santo no circuito das grandes exposições internacionais
Álvaro Moura é publicitário e diretor da Premium. Foi diretor da Rede Globo, Globo.com e Rede Gazeta
Vitória volta ao centro do circuito internacional das grandes exposições. Em um momento em que o acesso à arte de alto nível ainda é concentrado em poucos centros, o Palácio Anchieta reafirma seu papel como espaço vivo de cultura ao receber a exposição Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra, com 69 gravuras originais de um dos maiores artistas da história da arte.
Não se trata apenas da chegada de mais uma grande mostra internacional. Trata-se da consolidação de um movimento que, ao longo dos anos, colocou o Espírito Santo no mapa das grandes exposições realizadas no Brasil. Foi assim com Leonardo da Vinci, Portinari, Dalí, Goya, Monet, Miró, Picasso, Modigliani, Chagal, Renoir, Michelangelo e, agora, Rembrandt. Grandes nomes que passaram pelo Palácio Anchieta e encontraram aqui um público interessado, curioso e preparado para receber a grande arte.
A exposição chega a Vitória depois de uma trajetória de sucesso no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, com mais de 140 mil visitantes presenciais e ampla repercussão nacional, incluindo cobertura da TV Globo, da revista Vogue, da Folha de S.Paulo, de O Globo e de O Estado de S. Paulo. Agora, é o público capixaba quem tem a oportunidade de vivenciar essa experiência única.
Mas há um aspecto fundamental que diferencia esta exposição de muitas outras realizadas no país: o seu DNA. Desde o primeiro projeto, as exposições realizadas pela Premium seguem três princípios inegociáveis. O primeiro é a relevância. São sempre artistas e obras de altíssimo valor histórico, simbólico e educativo, que dificilmente estariam ao alcance da maior parte da população se não fossem trazidos para cá.
O segundo princípio é o acesso gratuito. A entrada nunca é cobrada. A gratuidade não é um detalhe operacional, mas uma escolha clara de política cultural. A arte, especialmente a grande arte, não pode ser privilégio de poucos. Ela precisa ser acessível, formadora de repertório e parte da vida cotidiana das pessoas.
O terceiro princípio é o acesso democrático e inclusivo. As exposições são pensadas para receber escolas, estudantes, grupos organizados e públicos diversos. No caso de Rembrandt, esse compromisso se amplia com recursos de inclusão digital, tradução em Libras, peças táteis, conteúdos educativos e projetos voltados à formação, garantindo que diferentes públicos possam vivenciar a mostra de forma plena.
A exposição Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra também se destaca por seu caráter curatorial e conceitual. As 69 gravuras estão organizadas em dois grandes eixos — o humano e o divino — e permitem ao visitante acompanhar diferentes momentos da trajetória do artista. Trata-se de uma exposição atemporal, que percorre toda a vida de Rembrandt, revelando suas múltiplas nuances: os autorretratos, as cenas bíblicas, os retratos de pessoas comuns, os personagens marginalizados, sempre marcados por uma abordagem profundamente humana e pela maestria no uso da luz e da sombra.
Outro ponto que merece destaque é o fato de esta ser uma exposição construída no Espírito Santo. Embora o projeto curatorial tenha origem internacional, toda a concepção, o design expositivo, a expografia, o planejamento, a produção, a montagem, a comunicação, o marketing digital e a operação foram realizados por profissionais capixabas.
Desde a elaboração do projeto até a execução final, tudo foi pensado e desenvolvido aqui. A exposição foi concebida para ser itinerante e chega agora à sua terceira etapa. As equipes que saíram do Espírito Santo para montar a mostra no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte são as mesmas que retornam para montá-la em Vitória. Isso demonstra, de forma inequívoca, a capacidade técnica, criativa e operacional da produção cultural capixaba.
O Espírito Santo não precisa importar soluções culturais para realizar exposições desse porte. Pelo contrário: exporta talento, qualidade e excelência. Rembrandt no Palácio Anchieta é também uma afirmação da força da economia criativa local, da maturidade dos seus profissionais e da capacidade do estado de realizar projetos culturais de padrão internacional.
Mais do que uma exposição, Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra representa um posicionamento. Mostra que é possível fazer cultura de alto nível, acessível, inclusiva e economicamente responsável. Mostra que a arte pode ser vetor de desenvolvimento, geração de emprego, renda e formação cultural. E mostra que o Espírito Santo está, mais uma vez, de volta ao circuito das grandes exposições internacionais.
A partir de agora, essa obra extraordinária passa a fazer parte da nossa casa. E o público capixaba é o grande protagonista dessa história.
Por fim, é fundamental registrar o agradecimento às empresas e pessoas que tornaram esta exposição possível. À Biancograce, a Darkes Cazote e ao Supermercado BH, representado por Pedro Lourenço, que compreenderam a cultura como um investimento estratégico, capaz de gerar valor simbólico, reputação e impacto social. É igualmente importante reconhecer o papel da Lei Rouanet, uma política pública democrática e acessível, que permite que empresas escolham investir em projetos culturais relevantes, ampliando o acesso da população à arte, fortalecendo a economia criativa e viabilizando iniciativas como a chegada de Rembrandt ao Espírito Santo.


Postar um comentário